Sable Star e Lori Maddox: universo groupie na puberdade
Podemos dizer que a liberação sexual da mulher foi o ponto culminante do turbilhão de mudanças que o mundo enfrentou a partir de meados da década de 60. A partir dessas transformações, somadas a uma série de ramificações advindas de pedais de efeito, distorções, riffs e solos em alta velocidade, veio à luz a cena Rock N’ Roll. Esse rebento tornou-se um fenômeno mundial e os holofotes começaram a voltar-se para os novos astros desse estilo, dando-lhes status e espaço na cena mainstream. E o fascínio pelos músicos não se restringiu apenas à imprensa. Algumas mulheres levaram a obsessão tão a sério, que acabaram criando um novo estilo de vida: o groupismo.
Essa palavra é oriunda do termo groupie (derivação da palavra group - grupo), que é utilizado para definir pessoas que, além de fãs, possuem algum tipo de intimidade com um famoso. E tal intimidade não se limita a uma adoração sem proporções ou ir a todos os lugares que o ídolo se encontra. É muito mais. Segundo o UrbanDictionary.com, ser groupie é “atingir status transando com roqueiros, roadies e outros caras da banda” ou ainda “ seguir sua banda favorita em turnês.”
Determinadas groupies ficaram tão famosas quanto os músicos que elas perseguiram. Entre elas estão Pamela Des Barres, Sable Star, Lori Maddox, Cyrinda Foxe, Cynthia Plaster Caster e Bebe Buell. Entre um show e outro, as moçoilas se revezavam entre David Bowie, Iggy Pop, Led Zeppelin, Rolling Stones, New York Dolls, Aerosmith, Jimi Hendrix, Kiss, dentre outros nomes.
Várias são as histórias e casos que permeiam o relacionamento groupie - artista, desde garotas que, após transarem com seus ídolos, faziam uma cópia dos seus genitais com gesso até uma banda (GTO’s) formada apenas por groupies que não sabiam tocar e cantar nada.
Hoje, quase cinqüenta anos após a divulgação mundial de “rockstars”, as moças que “animam” a vida dos músicos ainda atuam com força total, embora sem o mesmo “glamour” de tempos atrás. O vocalista do Led Zeppelin, Robert Plant, faz a distinção entre meras fãs e as verdadeiras groupies. Segundo ele, groupies de essência e prestígio “adotam um músico e o seguem em turnê, agindo como uma namorada ou até mesmo uma mãe, tomando conta dos objetos de valor do cara, das drogas, das roupas, etc”.
No Brasil, o groupismo não atingiu um patamar tão alto quanto nos outros locais, mas, mesmo assim, as bandas tupiniquins não fogem à regra e também carregam na bagagem muito o que contar sobre o “procedimento” das fãs mais apaixonadas.
Para ilustrar a matéria, eu acompanhei algumas moças que resolveram “recepcionar” uma grande banda internacional em terras brasileiras. Por questões éticas, os nomes serão suprimidos e a banda não será identificada.
Acompanhe o relato de Cíntia, figura conhecida de muitos músicos e artistas nacionais e internacionais:
“Tudo começa com anúncio de shows e bandas confirmadas. Enfim, vamos atrás de saber apenas o estilo da banda, o nome dos caras e procurando o mais ‘gatinho’. Depois dessa etapa, procuramos saber onde vão ficar e quando chegam e, por fim, a aproximação e as investidas: uma voz sexy, roupa provocante valorizando o que tem de melhor, olhares e a postura. Depois disso é só esperar um convite pra sala de ‘abate’, o que não demora.”
Cíntia afirma ainda que, algumas vezes, os próprios músicos procuram a companhia das groupies através de comunidades do orkut, My Space, MSN, entre outras ferramentas de comunicação. Ainda revela que alguns managers selecionam as garotas no local do show, dividindo os horários e seções de encontro.
Cíntia diz que já perseguiu a van dos músicos até o hotel, esperou no restaurante e, mesmo tendo sua investida negada pelo artista que tinha escolhido para “atacar”, forçou a porta do quarto onde o mesmo estava, implorando para que ele ficasse com ela por uma noite apenas, pois era “um sonho pessoal contar às amigas que tinha ficado com o grande vocalista da banda X.” Acabou conseguindo.
No dia do evento, Cíntia se insinuou diversas vezes para os músicos, ficando claro que o status de transar com alguém famoso, um sujeito que tenha o seu rosto estampado em camisetas e nas capas de revistas, é uma ótima motivação para alcançar a fama na roda de pessoas do grupo que freqüenta.
Mas, nem todos compartilham da idéia de que as groupies são “fundamentais” para a história da música. Alguns artistas acreditam que elas chegam a desvalorizar a imagem da banda com sua busca por alguém que lhes proporcione uma relativa fama.
O baixista de uma banda mineira - que preferiu não ser identificado - sugeriu que elas “estão apenas atrás de coisas banais, não gostam e nem querem saber do que o músico, como pessoa, tem para oferecer”. Ele diz também que no Brasil, “não existem groupies glamourosas e sim, meia dúzia de adolescentes loucas para estarem do outro lado do palco, para colocarem em seus fotologs e orkuts a foto premiada com fulano de tal, de banda tal”.
Em outros relatos concedidos em off, músicos afirmaram que música é alma, vida, filosofia, sensações e não dá pra respeitar alguém que só esteja afim de dar uma “trepada” em troca de umas fotos e comentários em páginas na Internet.
O vocalista da banda alemã Code Orange, Diego de Calazans, acredita que os “fãs dedicados têm uma função importante na história do Rock, mas já as groupies são uma coisa a parte, e elas podem ser ou não verdadeiras fãs de uma banda.”
Já Émerson Moura Fé, guitarrista do Retalhador, compartilha da opinião de que “as bandas devem ter suas groupies e que elas devem estar presentes para a alegria e distração geral do pessoal.” Segundo ele, “elas são importantes por crescerem junto com toda a evolução musical.”
Fundamentais ou não, é inegável que muitos momentos marcantes dentro da história do Rock N’ Roll e do Heavy Metal foram presenciados e tiveram colaboração direta dessas personalidades que, usando as pernas e o que têm no meio delas, conseguiram fazer o Kiss dar um depoimento pessoal a respeito da atuação delas na música “Plaster Caster” ou os músicos do Led Zeppelin se esbofetearem para ver quem seria o escolhido da menina-mulher (de apenas 14 anos) da noite.
Atualmente, fãs da famosa groupie Pámela Des Barres, inspiram-se no seu livro “Confissões de uma groupie: I’m with the band”, para continuar catalisando o público-alvo. Afinal, a resposta é quase unânime quando indagadas sobre o porquê de correrem atrás de astros da música: “O som agudo de uma guitarra e a sexy pancada de um denso e profundo baixo me abriram e instalaram o caos em meus hormônios adolescentes. Queremos estar perto dos homens que nos fazem sentir tão bem, e nada vai nos impedir”.
Fonte: portal Novo Metal