terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ode aos (In)Capacitados

Enviado pelo meu professor de Economia e Realidade Sócio-Econômica:

Pensamento Tibetano do Século VIII:

"Tudo aquilo que algum filho da mãe diz que é "URGENTE", sempre é algo que algum imbecil deixou de fazer em tempo hábil e quer que você se lasque para fazer em tempo recorde".

(Raksheh Vilmiintuchy - Monge Tibetano)



segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Comer, comer, comer e fazer

Ainda no clima da macarronada MARAVILHOSA que minha mãe fez ontem (a massa ficou soltinha, leve, acompanhada de um tempero suave, carne refogada com alho-poró e queijo derretido), quero aproveitar para divulgar dois excelentes dicionários/enciclopédias gastronômicas.

O Chucrute com Salsicha traz ótimas dicas sobre ingredientes, receitas, toques para substituir determinado ingrediente por outro, conversor de medidas, calculador de medidas e glossário (português-inglês). Excelente! Tudo organizado e bem explicadinho.

Função parecida (embora um pouco mais aprimorada) é disponibilizada pelo Cook's Thesaurus (em inglês), que abrange milhares de ingredientes e utensílios de cozinha. MUITO, MUITO, MUITO BOM!

So, enjoy them and go ahead!

domingo, 8 de novembro de 2009

Geração Groupie: glamour ou decadência?

Sable Star e Lori Maddox: universo groupie na puberdade

Podemos dizer que a liberação sexual da mulher foi o ponto culminante do turbilhão de mudanças que o mundo enfrentou a partir de meados da década de 60. A partir dessas transformações, somadas a uma série de ramificações advindas de pedais de efeito, distorções, riffs e solos em alta velocidade, veio à luz a cena Rock N’ Roll. Esse rebento tornou-se um fenômeno mundial e os holofotes começaram a voltar-se para os novos astros desse estilo, dando-lhes status e espaço na cena mainstream. E o fascínio pelos músicos não se restringiu apenas à imprensa. Algumas mulheres levaram a obsessão tão a sério, que acabaram criando um novo estilo de vida: o groupismo.

Essa palavra é oriunda do termo groupie (derivação da palavra group - grupo), que é utilizado para definir pessoas que, além de fãs, possuem algum tipo de intimidade com um famoso. E tal intimidade não se limita a uma adoração sem proporções ou ir a todos os lugares que o ídolo se encontra. É muito mais. Segundo o UrbanDictionary.com, ser groupie é “atingir status transando com roqueiros, roadies e outros caras da banda” ou ainda “ seguir sua banda favorita em turnês.”

Determinadas groupies ficaram tão famosas quanto os músicos que elas perseguiram. Entre elas estão Pamela Des Barres, Sable Star, Lori Maddox, Cyrinda Foxe, Cynthia Plaster Caster e Bebe Buell. Entre um show e outro, as moçoilas se revezavam entre David Bowie, Iggy Pop, Led Zeppelin, Rolling Stones, New York Dolls, Aerosmith, Jimi Hendrix, Kiss, dentre outros nomes.

Várias são as histórias e casos que permeiam o relacionamento groupie - artista, desde garotas que, após transarem com seus ídolos, faziam uma cópia dos seus genitais com gesso até uma banda (GTO’s) formada apenas por groupies que não sabiam tocar e cantar nada.

Hoje, quase cinqüenta anos após a divulgação mundial de “rockstars”, as moças que “animam” a vida dos músicos ainda atuam com força total, embora sem o mesmo “glamour” de tempos atrás. O vocalista do Led Zeppelin, Robert Plant, faz a distinção entre meras fãs e as verdadeiras groupies. Segundo ele, groupies de essência e prestígio “adotam um músico e o seguem em turnê, agindo como uma namorada ou até mesmo uma mãe, tomando conta dos objetos de valor do cara, das drogas, das roupas, etc”.

No Brasil, o groupismo não atingiu um patamar tão alto quanto nos outros locais, mas, mesmo assim, as bandas tupiniquins não fogem à regra e também carregam na bagagem muito o que contar sobre o “procedimento” das fãs mais apaixonadas.

Para ilustrar a matéria, eu acompanhei algumas moças que resolveram “recepcionar” uma grande banda internacional em terras brasileiras. Por questões éticas, os nomes serão suprimidos e a banda não será identificada.

Acompanhe o relato de Cíntia, figura conhecida de muitos músicos e artistas nacionais e internacionais:

“Tudo começa com anúncio de shows e bandas confirmadas. Enfim, vamos atrás de saber apenas o estilo da banda, o nome dos caras e procurando o mais ‘gatinho’. Depois dessa etapa, procuramos saber onde vão ficar e quando chegam e, por fim, a aproximação e as investidas: uma voz sexy, roupa provocante valorizando o que tem de melhor, olhares e a postura. Depois disso é só esperar um convite pra sala de ‘abate’, o que não demora.”

Cíntia afirma ainda que, algumas vezes, os próprios músicos procuram a companhia das groupies através de comunidades do orkut, My Space, MSN, entre outras ferramentas de comunicação. Ainda revela que alguns managers selecionam as garotas no local do show, dividindo os horários e seções de encontro.

Cíntia diz que já perseguiu a van dos músicos até o hotel, esperou no restaurante e, mesmo tendo sua investida negada pelo artista que tinha escolhido para “atacar”, forçou a porta do quarto onde o mesmo estava, implorando para que ele ficasse com ela por uma noite apenas, pois era “um sonho pessoal contar às amigas que tinha ficado com o grande vocalista da banda X.” Acabou conseguindo.

No dia do evento, Cíntia se insinuou diversas vezes para os músicos, ficando claro que o status de transar com alguém famoso, um sujeito que tenha o seu rosto estampado em camisetas e nas capas de revistas, é uma ótima motivação para alcançar a fama na roda de pessoas do grupo que freqüenta.

Mas, nem todos compartilham da idéia de que as groupies são “fundamentais” para a história da música. Alguns artistas acreditam que elas chegam a desvalorizar a imagem da banda com sua busca por alguém que lhes proporcione uma relativa fama.

O baixista de uma banda mineira - que preferiu não ser identificado - sugeriu que elas “estão apenas atrás de coisas banais, não gostam e nem querem saber do que o músico, como pessoa, tem para oferecer”. Ele diz também que no Brasil, “não existem groupies glamourosas e sim, meia dúzia de adolescentes loucas para estarem do outro lado do palco, para colocarem em seus fotologs e orkuts a foto premiada com fulano de tal, de banda tal”.

Em outros relatos concedidos em off, músicos afirmaram que música é alma, vida, filosofia, sensações e não dá pra respeitar alguém que só esteja afim de dar uma “trepada” em troca de umas fotos e comentários em páginas na Internet.

O vocalista da banda alemã Code Orange, Diego de Calazans, acredita que os “fãs dedicados têm uma função importante na história do Rock, mas já as groupies são uma coisa a parte, e elas podem ser ou não verdadeiras fãs de uma banda.”

Já Émerson Moura Fé, guitarrista do Retalhador, compartilha da opinião de que “as bandas devem ter suas groupies e que elas devem estar presentes para a alegria e distração geral do pessoal.” Segundo ele, “elas são importantes por crescerem junto com toda a evolução musical.”

Fundamentais ou não, é inegável que muitos momentos marcantes dentro da história do Rock N’ Roll e do Heavy Metal foram presenciados e tiveram colaboração direta dessas personalidades que, usando as pernas e o que têm no meio delas, conseguiram fazer o Kiss dar um depoimento pessoal a respeito da atuação delas na música “Plaster Caster” ou os músicos do Led Zeppelin se esbofetearem para ver quem seria o escolhido da menina-mulher (de apenas 14 anos) da noite.

Atualmente, fãs da famosa groupie Pámela Des Barres, inspiram-se no seu livro “Confissões de uma groupie: I’m with the band”, para continuar catalisando o público-alvo. Afinal, a resposta é quase unânime quando indagadas sobre o porquê de correrem atrás de astros da música: “O som agudo de uma guitarra e a sexy pancada de um denso e profundo baixo me abriram e instalaram o caos em meus hormônios adolescentes. Queremos estar perto dos homens que nos fazem sentir tão bem, e nada vai nos impedir”.

Fonte: portal Novo Metal

sábado, 7 de novembro de 2009

Heavy Female Metal


Depois da afirmação da mulher no mercado de trabalho, acompanhada do rompimento com as leis draconianas impostas por uma tradição conservadora, a figura feminina começou a ocupar uma projeção social nunca antes imaginada. Sexo, pílula, altos postos nos mais diversos cargos profissionais, independência e liberdade de expressão são alguns dos efeitos gerados por esse turbilhão de mudanças. Fazendo parte desse esquema, situa-se a relação da mulher com a música pesada.

Inicialmente, a atuação feminina dentro do meio Rock n’ Roll estava limitada às groupies, objetos sexuais e inspirações etéreas. Com a chegada da Revolução anos 70 e percorrendo a década de 80, muitas mulheres começaram a pegar na foice para ocupar seu espaço na música mundial. Entre elas, estão Janis Joplin (Site), Suzi Quatro (Site), Girlschool (Site), Volkanas, Go Go’s (Site), The Runaways (Site) e Doro Pesch (Site), por exemplo.

Com o reconhecimento e a alta qualidade dos trabalhos realizados por estes e outros nomes, mais e mais mulheres identificaram-se e decidiram que já estava na hora de fazer sua própria história. Unindo criatividade, competência, beleza e todos os demais atributos inerentes ao estrogênio (hormônio básico da mulher), vários projetos foram capitaneados e tocados pra frente. Um deles é o da baixista Thaís Dias.

Formada em música pela Escola de Música Villa-Lobos, a carioca integrou a banda Trinnity (Atmospheric/Gothic Metal) - que alcançou grande repercussão nacional até a data do encerramento de suas atividades, no início de Janeiro de 2007. Ocupou também os vocais da banda Alonity (Prog/ Gothic Metal) e os teclados do Quintessence (Death / Progressive Metal).

Thaís acredita que a principal mudança na atuação feminina dentro do Heavy Metal é o fato de que, hoje, a mulher está “totalmente atuante em bandas, como instrumentistas, roadies, produtoras musicais e engenheiras de som. Algo muito diferente do passado, onde as mulheres no Metal eram apenas as groupies, platéia, e, quando eram parte da banda, estavam geralmente no vocal. Hoje em dia, temos ótimas guitarristas, baixistas, bateristas e por aí vai.” Segundo ela, “no passado, as poucas bandas de mulher eram de punk, com melodias mais simples e músicas de poucos acordes. Hoje, vemos no cenário mulheres extremamente talentosas e virtuosas. A mulher é muito criativa e dedicada, e assim está conquistando seu espaço no Heavy Metal, tanto sendo parte das bandas, quanto por trás dos bastidores.”

Quando questionada sobre o desaparecimento da feminilidade, em que muitas mulheres, ao subir nos palcos, procuram assumir uma postura máscula em prol de uma possível maior aceitação, Thaís afirma que esse “processo da mulher se masculinizar para “competir” com o homem ocorreu em vários setores da sociedade, a partir do momento em que a mulher teve de sair de casa para trabalhar, dividir as despesas e ser independente. No final dos anos 70 e início dos anos 80, a mulher teve que ir para o mercado de trabalho, teve de bater de frente com muitas barreiras e assim, muitas delas assumiram uma postura um pouco masculina, como usar terninhos, roupas sóbrias, maquiagem muito discreta, pastas e sapatos baixos. Mas aos poucos, a mulher foi sendo reconhecida e pode ser ela mesma, ou seja, pode ser feminina mesmo sendo uma executiva.” A musicista revela também que “no caso da música, não aconteceu muito assim, pois arte é algo muito ligado à emoção, e acho difícil uma mulher assumir uma postura máscula e encenar um personagem em cima de um palco musical, pois as emoções afloram muito e não teria como esconder sua verdadeira essência. A mulher que assume uma postura masculina no palco, na minha opinião, também tem uma postura masculina na sua vida pessoal.”

Um dos fatores que apontam para um maior interesse por parte da esfera feminina é a identificação que ocorre entre banda e público. “A identificação é muito positiva, pois muitas pessoas acham o máximo ver a mulher no palco, e conseguem ver seu talento. Muitas meninas também gostam demais de bandas compostas por mulheres, é uma visualização delas mesmas naquelas que estão no palco”, diz Thaís Dias.

Apesar de toda essa evolução, é constante a auto-afirmação das bandas que, possuindo em seu núcleo componentes femininos, tendem a utilizar esse fato como adjetivo, como por exemplo: banda feminina de Doom/Gothic Metal, Female Band, Female Vocals, entre outros. Tal atitude vem a limitar ainda mais o universo feminino dentro do Heavy Metal, criando subgêneros e retirando a naturalidade que deveria existir. “Esses títulos sempre me incomodaram um pouco, pois nos flyers (para chamar atenção do público) algumas vezes eram colocados estes adjetivos e eu me sentia desmerecida, pois parece que as pessoas vão te ver como uma atração de circo, do tipo ‘olhem, mulheres tocando numa banda’. Eu me sentia um macaquinho adestrado e não uma musicista, mas o que me deixava tranquila é que ao começar a tocar, aqueles preconceituosos sempre ficavam de boca calada, pois viam que realmente a banda era tão boa quanto uma banda formada por homens e que na verdade não existe diferença. Somos todos iguais, todos temos o mesmo número de genes e as mesmas capacidades”, reforça Thaís.

Dentro de uma crença semelhante, encontra-se a multi-instrumentista Florisa Gessle. Sendo uma das maiores representantes da atuação feminina no Piauí, Florisa já tocou em bandas como a aclamada Into Morphin (Death/Black Metal), Evil Woman (Black Sabbath cover) e Ever Down( Dark Metal). Para ela, os motivos que levam uma banda composta exclusivamente por mulheres ter vida relativamente breve, se comparada com outras, dependem essencialmente do contexto. “Creio que existam vários fatores e cada caso deve ser analisado em seu próprio contexto. Mas no geral, viver de música no Brasil é uma utopia, porque esse país não valoriza a cultura de um modo geral. A imagem da mulher é altamente vulgarizada e banalizada. E esse padrão é reforçado pelas próprias mulheres. Uma brasileira, em geral, quer ser quer ser valorizada pelo apelo sexual do seu corpo. Isso é deprimente! A garota brasileira quer ser modelo-atriz cantora e posar pra alguma revista masculina ou quer ser uma musicista de sucesso? O que vemos no geral é a primeira opção. Com esse contexto, é difícil apostar numa carreira musical. As poucas pessoas que se aventuram (isso homens ou mulheres) ou saem do país ou desistem. No contexto mundial, vemos muitos casos de boas musicistas que conseguem firmar suas carreiras com sucesso, entretanto, nem sempre bandas formadas exclusivamente por mulheres duram.Creio que em parte porque mulheres precisam dedicar mais tempo à família. Isso, às vezes, inviabiliza longas viagens como é comum em bandas grandes”, argumenta Florisa.

Mas, não é apenas em cima dos palcos em que há a parceria ‘mulheres e música pesada’. Na indústria musical, na imprensa, na organização de eventos, em todos os lugares, o ‘poder das saias’ aparece. Um claro exemplo disso é o trabalho de Gisele Santos frente ao site Mundo Rock de Calcinha (Site), especializado em abordar o universo das fêmeas dentro do Rock. A idéia de montar um site com essa especialidade surgiu quando Gisele apresentou, durante dois anos, um programa de rock que começou a ser transmitido em uma web rádio para brasileiros residentes no Japão. “Depois desse tempo, eu sentia que já tinha fechado este ciclo e muita gente sempre me falava ‘você é mulher, criou o portal MundoRock.net (há 08 anos no ar) - sendo que a maioria que existem foram criados por homens - seria bacana você fazer um trabalho dedicado as mulheres do rock’. E assim nasceu em maio de 2007 o Mundo Rock de Calcinha, jornalismo especializado em rock feminino, que hoje já é um portal, além do programa de rádio (podcast)”.

Gisele revela que ainda há uma escassez entre e a esfera feminina e o Rock. Ela afirma “que as bandas de meninas são mais no estilo pop rock e hardcore e ainda existem poucas de metal ou som mais pesado.” Entretanto, aponta um progresso considerável, pois “antes também existiam mais vocalistas, mas agora já tem mais instrumentistas, inclusive bateristas, que sempre foi raro.”

O programa é anunciado como “o único programa de rock da atualidade dedicado ao rock feminino”, o que já leva a uma classificação, rótulo, limitação. A apresentadora contra-argumenta. “É uma maneira de poder explicar do que se trata e mesmo assim, talvez por preguiça de ler, muitas bandas e homens mandam material pra rolar na rádio. Na internet ele é o único, já existiram outros, que na verdade não era somente de rock, mas não foram em frente com os projetos. E além do programa de rádio/podcast, o nosso portal é o primeiro e único totalmente musical, dedicado ao rock feminino. Tem gente que confunde com zines ou sites feministas que, às vezes, citam bandas de mulheres do rock. E como já falei, é jornalismo especializado em rock feminino.”


Em suma, a mulher vem transformando e sendo transformada em cada novo meio que ocupa. E não seria diferente com o Heavy Metal. Essa matéria não poderia ser finalizada sem a menção de figuras que estão deixando marcas na história da música, como Angela Gossow (Arch Enemy - Site), Cristina Scabbia (Lacuna Coil - Site), Valhalla (Site), Anneke van Giersbergen (ex- The Gathering e atual Agua de Annique - (Site), Kittie (Site), Ruyter Suys e Karen Cuda (Nashville Pussy - (Site) e Scatha (Site). Essas e muitas outras bandas estão construindo o importante arcabouço da mulher e o mercado fonográfico.


* Fonte: Matéria publicada no Portal Novo Metal.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Gothic/Doom Metal com sentimento e expressão


Fundada em março de 2002, a banca carioca Trinnity angariou reconhecimento dentro do cenário underground nacional.

Misturando elementos do Gothic/Doom e Atmosferic Metal, o quinteto conquistou grande repercussão nos anos de 2005 e 2006, tocando em grandes festivais do país. No entanto, em 2007, antes de lançar seu primeiro full-lenght, a banda encerrou as atividades.

Dois anos depois, a Trinnity reúne ex-integrantes para um revival, lançando também um myspace com o melhor da sua produção. Em entrevista, a guitarrista Maria Fernanda Cals e a baixista Thais Dias comentam um pouco sobre o histórico e importância da Trinnity. Confira:

Deixando de lado o período de ‘recesso’(dois anos) da banda, em quase 5 anos de atividade e produção, qual é a identidade da Trinnity?

Maria Fernanda Cals: A reunião da Trinnity é composta de Mel Bôa Morte (vocal), Thais Dias (baixo), Maria Fernanda Cals (guitarra) e Virgínia Nuñez (guitarra). Chamamos o baterista David Rached (ex-Revulsion, atual Spirits) pra ocupar o posto como convidado. A ideia de reunir a banda surgiu com conversas entre as ex-integrantes saudosas da boa época da Trinnity (risos). Todas que um dia já fizeram parte do line-up do grupo foram convidadas, mas, por motivos de trabalho, estudo ou outras coisas, algumas não puderam aceitar.

Revendo uma das biografias oficiais da banda, eu tomei conhecimento de que uma mudança numerológica foi feita, acrescentando mais um ‘n’ ao nome Trinnity. Achei extremamente interesse este tipo de abordagem. Como surgiu essa conexão entre música e misticismo?

Thais Dias: Não é que a banda seja ligada ao misticismo, mas nós sempre procuramos fazer o melhor pela energia que está a nossa volta, então, buscamos obter equilíbrio através de todos os meios possíveis. Realmente existe um interesse individual pelo misticismo, mas a banda em si não segue nenhuma linha filosófica. No dia em que a banda foi criada, a Cristina (ex-vocal) fez o Mapa Astral da Trinnity e a Numerologia, e fazendo os cálculos, ela viu que ao acrescentar mais um “n” o nome também ficaria significando o número 3, que é um ótimo número para a criatividade e sucesso.

Seguindo a linha cronológica, a Trinnity iniciou com covers de bandas como The Cure, Sisters of Mercy e The Gathering. Com a entrada de Letícia Figueiredo nos teclados, a banda aderiu a uma sonoridade mais atmosférica, sem deixar de carregar a influência Gothic Metal. Já com a formação posterior (que durou de 2003 a meados de 2005), vocês apostaram em um Rock/Metal Groovy, com nítida carga Gothic/Doom. Hoje, a banda procura se ater a alguma definição (rótulo musical), ou o toque experimental continua forte?

Maria Fernanda Cals: Se eu ainda fosse rotular a Trinnity, com certeza diria que o som varia entre rock, gótico e metal. Não estamos compondo nada, já que a idéia é tocar apenas ao vivo as músicas que eram da banda. Se fossemos compor, acredito que seríamos bastante experimentalistas, até porque hoje em dia cada uma curte um tipo de som.

O primeiro trabalho da banda, "The Reflex of Emptiness" (2003), alcançou repercussões positivas na mídia especializada, marcando também mudanças intensas dentro da Trinnity. A vocalista Cristina Müller precisou deixar a banda para se dedicar mais à faculdade, e Mel Bôa Morte assumiu os vocais. Em seguida, a guitarrista Maria Fernanda Cals entrou na Trinnity, acrescentando mais peso e sonoridade às músicas. Com a saída, pouco tempo depois, da tecladista Letícia Figueiredo, vocês optaram pela formação: voz, 2 guitarras, baixo e bateria. O que mudou, em termos de direcionamento musical e composição lírica?

Thais Dias: As mudanças ocorreram naturalmente devido a saída de uma tecladista e a entrada de uma segunda guitarra, o que trouxe nitidamente mais peso à banda. Continuamos usando teclados nas gravações, mas nada comparado a ter uma tecladista/pianista na banda. Com o passar do tempo fomos amadurecendo mais musicalmente e fomos procurando fazer composições mais trabalhadas, com mais detalhes do que anteriormente.

Vocês integraram a coletânea Demo Section II, da revista Valhalla e fizeram vários shows no eixo Rio de Janeiro - São Paulo - Minas Gerais. No Vamp Festival 5 (São Paulo / SP), vocês tocaram para aproximadamente 1.500 pessoas. Como foi esse período de intensa produção e visibilidade? Quais foram as participações e eventos inesquecíveis?

Thais Dias: Foi muito bom o momento do reconhecimento, quando começamos a ser chamadas para tocar em vários eventos, participar de entrevistas e programas de rádio. É uma sensação muito gostosa mesmo. Fizemos muitos shows bons, como o Vamp Festival, a última edição da Thorns Gothic Rave, os eventos em Belo Horizonte, os shows em São Gonçalo no Rio, entre outros inesquecíveis.

O fato de ser uma banda exclusivamente feminina fez alguma diferença na promoção e divulgação da Trinnity? Quero dizer, o mito da utilização da imagem e beleza ainda é um diferencial na realidade de muitas bandas femininas, ou, como o próprio enunciado sugere, é apenas mitificação?

Maria Fernanda Cals: Se eu dissesse que o fato de sermos uma banda formada exclusivamente por mulheres não fez diferença na promoção e na divulgação da Trinnity, estaria mentindo. Fez sim. Sinto que as pessoas gostam, porque é mesmo um diferencial, principalmente num estilo como o metal, em que a participação feminina ainda tem muito o que crescer. Ao mesmo tempo, a cobrança é muito maior. Já perdi a conta de quantas vezes ouvi “até que fulana toca bem...pra uma mulher”. É algo ligado a imagem, com certeza, mas nem tanto ligado a beleza. Acho que o público está interessado não apenas em ver se somos gatinhas ou não, mas também, e talvez até principalmente, se somos boas musicistas, arranjadoras, compositoras, etc.

Em 2006, mesmo com onze músicas próprias, o lançamento de um CD full-lenght não saiu. O que aconteceu?

Maria Fernanda Cals: O processo de pré-produção, gravação e pós-produção é algo trabalhoso, que envolve tempo, dedicação e dinheiro. Como uma banda independente, sem nenhuma gravadora pra bancar nosso debut, e tendo que dividir nossos dias entre estudo, trabalho e música, acabamos “engolidas” pela rotina e não conseguimos colocar em ação o que havíamos planejado.

O ano seguinte foi marcado pelo encerramento das atividades da Trinnity. Mel Bôa Morte, Rafaela Dias, Maria Fernanda Cals e Cynthia Tsai Yuen (que atualmente ocupa as baquetas da Scatha) formaram a Mystike. Virgínia Nuñez ocupou os vocais da Revulsion. Agora, dois anos após o rompimento, que tipo de emoção passa por vocês? Qual seria a razão maior para o retorno?

Thais Dias: Amávamos a Trinnity e ainda amamos! Acho que esse é o principal motivo, mas além dele tem o fato de podermos estar juntas novamente, com expectativa de subir novamente num palco 2 anos após estarmos separadas. É com toda certeza uma ótima emoção reviver momentos especiais assim.

A propósito: a Trinnity está, definitivamente, de volta?

Maria Fernanda Cals: Queremos aproveitar esse momento de felicidade e harmonia e ver no que dá, mas a ideia, a princípio, é fazer apenas esse show revival.

Quero deixar um abraço e sinceros votos de sucesso para a Trinnity. Que este revival marque não apenas o retorno esporádico da banda, mas uma volta triunfal. Este espaço final é de vocês.

Thais Dias: Gostaríamos de agradecer pelo apoio das pessoas que sempre deram força para continuarmos com a banda. Desde o final da banda sempre fui abordada por pessoas dizendo que a banda tinha que voltar e eu sinceramente achei que isso fosse impossível. Hoje vejo que nada é impossível se é feito com amor. Quero agradecer também por esta entrevista, pois você, Mara, sempre foi uma dessas pessoas que nos apoiou. Então, muito obrigada em nome de todas da Trinnity.

Fonte: Portal Novo Metal

domingo, 1 de novembro de 2009

Orgulho & Preconceito


Jane Austen nasceu em uma paróquia de Steventon no condado de Hampshire, Inglaterra. Sua família pertencia a uma classe latifundiária da Grã-Bretanha (os gentry). Esta classe social era formada por pessoas sem muitas posses, mas, em termos de títulos nobiliárquicos, estavam logo abaixo dos nobres aristocratas. Foi nesse ambiente puritano e fechado que a romancista encontrou material suficiente para elaborar personagens que transcenderam a rotina limitada a qual estava submetida.

O clássico Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice, 1797) não só introduz Jane Austen na galeria dos maiores fenômenos da literatura inglesa, como também retrata as principais ideias da mulher que interpretou temas cotidianos à luz da universalidade. Com uma observação cirúrgica da realidade que a cercava, Austen retratou a limitação da aristocracia rural em personagens ‘transgressoras’ (guardadas as devidas proporções), irônicas, fortes, visionárias e rigorosamente convictas.

É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitado de esposa.” Com essa introdução, a romancista irrompe na peça-chave que permeava a sociedade da época: casamento e dinheiro.

Orgulho e Preconceito foca suas atenções na saga de Elizabeth Bennet, a segunda filha em um lar de seis mulheres e um único varão – o patriarca –, o que simbolizava, segundo a lei da época, que o espólio iria para o parente do sexo masculino mais próximo na árvore genealógica.

Para se manterem, as mulheres precisavam arranjar bons casamentos, com homens que vivessem de renda e que pudessem lhes proporcionar uma vida confortável em termos financeiros. Com a chegada de Mr.Bingley, um gentleman que dispunha de quatro ou cinco mil libras anuais, a casa dos Bennet entrou em alvoroço, com a Mrs. Bennet solicitando ao marido uma visita ao novo locatário de Netherfield Park. A partir desse ponto, a história se desenrola em longos e inteligentes diálogos, demonstrando toda a capacidade da autora de contrapor os hábitos da sociedade aos verdadeiros sentimentos e paixões que guiavam suas heroínas.

Com Elizabeth (Lizzy) não foi diferente. Ao travar o primeiro contato com o amigo de Mr.Bingley, o insociável e taciturno Mr. Darcy, a protagonista diz uma das frases que nortearam o rumo do tempestuoso relacionamento que brotaria dali: “Eu poderia facilmente perdoar o seu orgulho, se ele não tivesse mortificado o meu”. Diferentemente de suas irmãs, Lizzy Bennet é um espírito indomável, guiada por questões existenciais complexas.

No decorrer da trama, Jane Austen descortina relações de poder, alpinismo social e a estratificação de condutas e comportamentos, onde, muitas vezes, a figura feminina era renegada ao mero estado de obrigação. Acima de tudo, o livro caracteriza a veia central de todos os trabalhos da autora, onde a força dos pré-julgamentos reverbera no que, segundo informações biográficas, distinguiram sua própria vida: o fato da mulher assumir uma posição autônoma dentro da sociedade, podendo decidir o rumo do destino que almejava seguir. Jane Austen cria outros mitos de ascendência feminina – temperada, claro, com muita contenção, o que viria a ser outra marca registrada – em Razão e Sensibilidade, Mansfield Park, Emma, Abadia de Northanger e Persuasão.

Através da obra Orgulho e Preconceito, a autora inglesa imortaliza o drama que, séculos depois, permanece sempre atual: posição e poder nas relações interpessoais. Na edição nacional, lançada pela editora Civilização Brasileira (2006, 2° edição, 430 pág), o livro conta com a tradução do renomado escritor, jornalista e dramaturgo Lúcio Cardoso.

Como escreveu David Cecil, autor do retrato-biografia ‘A Portrait of Jane Austen’: Jane Austen “permanece para mim – sem dúvida como ela teria desejado – sem intimidade, apenas uma conhecida.”

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A Síndrome de Cinderela


Atualmente, nada tem sido mais fustigante do que presenciar (direta ou indiretamente) o cacarejar de mulheres com "síndrome de Cinderela” (utilizei Cinderela só por apego ao debate, porque caberia muito bem Branca de Neve, Rapunzel ou qualquer outra personagem de contos-de-fadas). Viciadas nas asneiras escritas pela norte-americana Stephenie Meyer, as mais novas “Julietas” introduzem o movimento do ‘love’s in the air’, com direito a muitas estorietas góticas, vampiros com traços aristocráticos e coração puro, romantismo, duelos, intrigas... Enfim, toda ordem de clichês maniqueístas e vazios.

Stephenie Meyer, a autora da vez, engorda progressivamente sua conta do banco e, assim como J. K. Rowling (o quê, little girls, já deixaram a mãe do Potter cair no ostracismo?!), vai lançar mais e mais continuações da série, modificando-as com boas dosagens de ‘ficção científica’ ou algo na linha de ‘possuídos pelos espíritos do mal’.

Eu não me sinto nenhum pouco impressionada com o rompante desse fenômeno, afinal de contas, trata-se apenas da perpetuação do status quo que a figura feminina tem ocupado durante todos esses séculos. Apesar das conquistas obtidas nos mais diferentes setores, comportamentos mecanizados vem se repetindo exaustivamente, arrastando o mito da ‘emancipação plena’.

A história do amor adolescente, puro e casto, remete à ideia de que o sonho de ser Cinderela ainda não morreu. Não basta ter um bom emprego, liberdade sexual ou posição majoritária. É preciso provar para a comunidade que a imagem do casamento ingênuo, regado ao melhor do celibato sentimental, resiste e transparece ao final do jogo. É só observar os principais argumentos das amantes do ‘Bella & Edward lifestyle’ na hora de defender a série literária que lhes "devolve à vida". Para não incorrer em parcialidade, deixo que você descubra por conta própria.

sábado, 24 de outubro de 2009

Sussurros Descuidados

Poucas coisas são etéreas e sentimentais como a voz de Anneke - para comprovar, ouça os principais e melhores álbuns do The Gathering, bem como os trabalhos com o Aqua de Annique e lançamentos solos da cantora.

Em dias assim, cinzas e secos, eu não poderia encontrar terapia melhor. E, dividindo meu tempo entre a audição do álbum Pure Air e minhas elucubrações, lembrei de quando comecei a me interessar em aprender outras línguas. O responsável pela minha 'tara por idiomas' é ninguém menos que George Michael. Quando trouxe essas memórias de volta, quase cai pra trás. Lembrei das duas caixas de som enormes que tinha em casa, acopladas ao rádio e reprodutor de k7. Até hoje, minha mãe guarda 2 caixas repletas de k7s e VHS. Tem para todos os gostos: Roberto Carlos, Raul Seixas, Scorpions, Nazareth, sertanejos pops(ulares) (não cito nomes porque são praticamente todos iguais), entre outras coisas. Tem muita coisa do tipo "Love Songs", "O melhor do cinema internacional" e por aí vai. Em uma dessas k7s está a pérola da minha infância.

"Careless Whisper" me fez sonhar. E sonhar alto. Com 7 anos, eu não sabia absolutamente nada do que estava sendo dito, mas o riff de sax que abre a música foi simplesmente arrebatador. Somado a isso, estava a voz magnética do George Michael, invadindo completamente a minha mente. Não conseguia desgrudar. Repetia exaustivamente - para quem ainda se lembra, a fita tinha que rodar toda no aparelho -, viciada naquela melodia, naquela batida... Por alguma razão, eu imaginava que a letra trazia alguma coisa de romance, de melancolia. Perguntava à minha mãe: -"Mãe, será que eu vou aprender a cantar essa música?". Ela ria, e confessou, anos mais tarde, que ficava impressionada com o fato de eu ter desenvolvido um fascínio desmedido, a ponto de ter cuidado sacramental com a fita K7 que transportava essa faixa.

Se eu fosse uma pessoa supersticiosa, certamente já teria encontrado sentido com a rotatividade da minha vida e Careless Whisper. Mas prefiro encarar de outro modo. Por conta do meu envolvimento pessoal com essa música (unicamente com ela porque, via de regra, cabe lembrar que, com apenas essa exceção, o trabalho do George Michael foge do meu conhecimento), o gosto em aprender novos idiomas nunca me pesou - nem mesmo quando o assunto aborda questões gramaticais mais complexas.

Inclusive, cheguei a conclusão de que aprender alemão está sendo bem mais fácil do que trabalhar com o InDesign, por exemplo. Fato.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009




Sabe aquela história de valorizar as pequenas coisas da vida? Pois é. Não tem babaquice mais apaixonante.

domingo, 18 de outubro de 2009

Arte e culinária sem estratégia de marketing? Furada!

Ontem, depois de me divertir com uma típica comédia romântica (entretenimento previsível, mas eu não poderia dispensar, apesar do roteiro mole, o Gerard Butler (pelamordeus, hein?), fui dar uma conferida em um desses novos points que papocam a cada minuto em Teresina.

Detalhe: o que mais criam e exterminam na capital piauiense são restaurantes e pizzarias. É absolutamente incrível a quantidade de novos pontos de alimentação que surgem em cada esquina. Não que eu ache ruim - aliás, comer é uma das atividades mais prazerosas desse mundo - , mas, analisando pelo caráter empreendedor, é uma tática falha e limitadora, afinal de contas, existem outras necessidades da população que precisam ser satisfeitas.

No mais, eu e meus familiares nos dirigimos ao tal point. Lugar bacana, que aposta no slogan 'arte e culinária', com mesas à la Távola Redonda, pratos sugestivos (remetendo aos artistas nacionais e locais), pizza de massa leve, recheada de especiarias, conservas e azeite. Em contrapartida, o atendimento é PÉSSIMO! Demora é apenas o começo. Uma das garçonetes, com uma atitude altiva desnecessária, nos atendeu com um tom desaforado:

- "Espere um momento, POR GENTILEZA, meu senhor. Será que poderia esperar apenas UM MOMENTO, meu senhor"? (com uma voz afetada). Solicitamos, de imediato, outra atendente.

Fora isso, o refrigerante veio quente, sem gelo, sem suíça, sem nada. Um horror! Experiência que serviu para repensar velhas estratégias de administração e marketing, com capacitação do corpo funcional e agilidade. Além da óbvia conclusão de que sucesso empresarial vem mais da base do que nossa vã filosofia possa imaginar.

P.S - O que valeu à pena? Vi a fotocópia de uma dessas pérolas ambulantes refinadas. Fotocópia brasileira com traços europeus.