Jovem artesão do Poti Velho: tradição herdadaMatéria feita por mim e pela minha
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Após a reestruturação do Pólo Cerâmico do Poti Velho, ambiente destinado à venda e confecção de peças artesanais, os artistas manuais de Teresina ganharam notoriedade e maior suporte para divulgar seus trabalhos.
Outrora renegados à curiosidade de transeuntes ou limitados às listas dos pontos turísticos da cidade, os artesãos encontravam sérias dificuldades para comercializar seus produtos, devido à falta de um espaço próprio, regulamentado e valorizado. “Antes da construção do Pólo Cerâmico, era muito difícil gerar renda e sustentar a família com dignidade. Agora, temos um espaço para exercer plenamente nossas atividades”, garante o artista cerâmico Jimmy Presley.
Jimmy, que trabalha há 10 anos como artesão, foi contemplado com um estabelecimento no Pólo Cerâmico, fabricando suas peças em um cômodo amplo e arejado, localizado no interior do estabelecimento. “O terreno era particular. Então, a prefeitura veio e comprou o terreno, e, logo em seguida, o governo cedeu os balcões. Depois de algum tempo parada, a obra foi retomada pela prefeitura. O estabelecimento é nosso, mas não podemos vender ou alugar. Passa de pai para filho. Não podemos também trabalhar com outro material que não seja cerâmica”, revela.
O artesão afirma que produz muito material para cidades como Recife, Fortaleza, Natal e São Paulo, além de ter várias peças encomendadas em Teresina. Ele comenta também que a produção cresceu por conta das exposições e feiras que a prefeitura e o governo do Estado disponibilizam para os artesãos. “Já colocamos o nosso trabalho em exposições como Piauí Sampa (SP), na I Feira de Artesanato do Pólo Cerâmico (PI), na Feira Nacional do Artesão (PE) e eventos realizados pelo SEBRAE-PI, além de participarmos de oficinas gratuitas de aperfeiçoamento promovidas por estas instituições em parceria com o PRODART”, afirma.
O ceramista trabalha com cerca de 10 artesãos, onde cada um desenvolve seu próprio estilo. “Sempre que chega um novo aprendiz aqui, eu ensino tudo o que sei e o deixo livre para exercer sua criatividade”.
O material e a produção são divididos e passam pelos seguintes processos: concepção em argila, acabamento, secagem, forno e envelhecimento – os artesãos utilizam betume e cera para dar o aspecto de “madeira envelhecida” às peças. “De cada peça produzida, eu tiro uma fôrma para confeccionar as demais”, revela Jimmy. Segundo ele, todo final de ano é marcado por encomendas de peças natalinas, como presépios, santos e imagens angelicais.
Para Jimmy Presley, o artesanato é mais do que uma profissão ou modo de garantir renda. É dom, acompanhado de muito esforço e vontade. “Nosso artesanato é arte que passa de pai para filho. É uma tradição, uma forma de conhecer o que meu avô ensinou para o meu pai e ele ensinou para mim”, relata o artista.
Apesar dos recentes investimentos, Jimmy diz que ainda falta divulgação: “Não temos propagandas veiculadas em horários nobres. Algumas vezes, a população fica totalmente desinformada sobre as exposições e feiras que participamos”, desabafa.
Os artistas do Poti Velho possuem uma associação mantida pelos próprios artesãos e contam também com uma cooperativa feminina, a COOPERART-POTI. Eliana, artesão integrante da cooperativa, afirma que sua vida mudou depois da reestruturação do Pólo Cerâmico. “Trabalhos em grupo de 30 mulheres e nos revezamos para ocupar a banca de vendas. Hoje, vivo relativamente bem, comparando com a situação anterior, e sustento meus filhos com o fruto do meu trabalho aqui”, garante a artesã.