sábado, 11 de julho de 2009

Rebento de Dickens


Incrível a conexão que ando estabelecendo com Charles Dickens, autor do conhecidíssimo Oliver Twist. Mas foi em Retratos Londrinos, o livro de crônicas inspirado em Londres pós-industrial, onde acabei encontrando ironia, percepção, observação, astúcia, inteligência e mais uma porção de características atraentes, responsáveis diretas por essa minha ligação com Dickens (ainda irei falar sobre este livro por aqui).

Não consigo evitar: ao notar e, automaticamente, utilizar o cérebro para descrever situações cotidianas, Dickens me vem à cabeça, com uma risadinha de escárnio, apontando o que deve ser examinado. Aconteceu isso hoje, quando estava perambulando pela livraria e me deparei com exemplares reservados da biografia de Michael Jackson. Segundo informações do vendedor (confirmadas por mim neste exato momento), a primeira edição data de 2005, ou seja, quatro anos atrás. Ao ser questionado se em tempos idos ela estava saindo que nem pão quente de padaria recém-inaugurada, o cara falou categórico: -'Que nada! Só agora nós subimos vertiginosamente as vendas.'

Dickens, então, sussurrou no meu ouvido: 'Uma dessas coincidências que acontecem todos os dias, não é?', e de repente, me vi rindo sozinha. É interessante perceber como a humanidade é previsível. Enjoadamente previsível. Os mesmos comportamentos repetitivos, as mesmas paixões súbitas despertadas por um quê de comoção, a mesma instabilidade de opinião... O mesmo balé russo de sempre.

E essa confirmação está disseminada por todos os lugares, em especial, neste buraco negro chamado internet. Acabei de ver a página de um desses seres 'fracos e insignificantes' (vide a crônica 'Divertimentos Londrinos' do livro mencionado acima) e, para a minha fiel constatação, os passos são idênticos ao de protótipos engajados nas ''causas humanas''. Um horror!

Daqui pra frente, minha escrita terá influência dickeniana, isso é certo. Só quero saber como vão acabar minhas observações. rs. Sério: você NÃO será a mesma pessoa depois de ler Charles Dickens.

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